Mostrando postagens com marcador http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/jd200799.htm. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/jd200799.htm. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Ainda a questão do Jornalista/Garoto-propaganda

A.D.

O N de Notícia agora apresentado por William Bonner (Globonews) deu seqüência ao tópico levantado na capa de nossa última edição sobre a participação do jornalista Paulo Henrique Amorim no informe publicitário que apresentou a megafusão cervejeira.

Bonner teve a gentileza de convidar este Observador para participar do programa que foi ao ar na semana 11-16 de julho. Antes de encerrar, fez uma pergunta aos três participantes mais ou menos nestes termos:

"Quem deve zelar pela ética jornalística – o profissional, a empresa ou o público ?"

Este Observador foi claro – a conduta profissional é uma questão que diz respeito primeiramente ao profissional, questão de foro íntimo.

E por que não à empresa jornalística?

Simplesmente porque está voltada para o mercado. Ela compõe a mídia, ou, para sermos exatos, o sistema mediático – um universo de interesses hoje distanciado das premissas e pressupostos que haviam transformado o jornalismo em Quarto Poder.

O jornalista pode ser agente e instrumento desse sistema mas, não obstante, ele também é o responsável e zelador dos seus valores e crenças. As empresas não admitem que seus empregados apresentem mensagens porque estão apenas interessadas em preservar uma imagem que lhes pertence. É domínio seu, das empresas. Seus cuidados são comerciais – legítimos certamente – mas os cuidados do jornalista são morais.

As empresas admitiriam que jornalistas fizessem comerciais ou anúncios sobre ela própria? Jornalistas e âncoras da CNN acedem em fazer propaganda institucional do seu canal, o que não acontece com os grandes âncoras das redes abertas da TV americana.

A maioria das nossas empresas jornalísticas permite que seus jornalistas recebam um cachê para fazer conferências ou apresentar eventos. Mas muitos jornalistas – mesmo prestadores de serviços, não contratados – acham que não é correto. Receber pagamento por uma palestra cria vínculos e dependências (claro que isso não inclui aulas em universidades ou programas de treinamento).

O debate merece desdobramentos.